Um pouco de diversão
Quinta-feira, 14 Maio, 2009
Não comentei aqui, mas desde que eu cheguei, já fui em alguns shows (além de ter perdido dois que eu queria muito ir). O primeiro foi uma semana depois de eu ter chegado, na First Unitarian Church. Olocal, uma igreja, foi um dos fatores decisivos para eu decidir ir. Um dos shows que eu queria ter ido seria nessa igreja, e por isso acabei descobrindo que lá tem vários shows legais. Estava sem nada para fazer no final de semana, olhei no last.fm e havia esse show de três bandas que eu nunca tinha nem ouvido falar. Dei uma escutada rápida e resolvi ir lá. Havia muito mais gente do que eu podia imaginar! Na fila, que era bem grande, enquanto conversava um pouco, desobedeci uma lei bebendo, algo que só fui descobrir muito tempo depois: é proibido beber na rua. Todo mundo com quem eu falei já havia ido a pelo menos algum show de alguma das três bandas, enquanto eu mal sabia o nome delas! Acabei gostando muito das duas primeiras bandas (a ponto de comprar o cd da menor e baixar dois cds da outra), mas não gostei da banda principal.
No final de semana seguinte eu tentei ir para Washington D.C. e não consegui. Não consegui, mas fui em um show chamado “D.C. takes over Philly“, só com bandas de lá. Deviam ter umas 30, talvez 40 pessoas. E estou contando com os músicos! Acho que foi o show mais “garagem” que eu já fui (mesmo não tendo sido o menor). Foi bem legal, mas mais pela curiosidade. Apesar disso, duas das bandas agora fazem parte das músicas que eu escuto. Algo curioso: também foi em uma igreja! Mas essa vez eu só descobri chegando na porta e aparentemente ela não tem tradição de show.
Finalmente, o terceiro show eu já conhecia uma das bandas, o Electric Six, e fui por causa disso. E finalmente, não foi em uma igreja: essa vez foi em um bar muito legal. Não sei como, em um público de menos de 200 pessoas, encontrei por acaso um cara da upenn que eu conhecia de vista e a gente ficou conversando. A primeira banda foi escutável, mas a segunda foi bem ruim. E o pior, eles meteram o som no talo, quase me deixando surdo! Para terminar veio o Electric Six, mostrando que aqueles decibéis a mais eram desnecessários. (agora é um decreto nacional que eu desobedeço: o plural é decibels).
Franz Ferdinand tocando This Fire na Electric Factory em Philly.
Semana passada foi a vez do Franz Ferdinand, denovo! Essa vez, não sendo algo desconhecido, chamei o francês que está aqui comigo, e ele topou. O show foi muito bom, não teve nem comparação com os outros. Mas também não teve nem comparação com o que eu havia ido no ano passado! Apesar daquela descrição fraca que eu fiz no ano passado, aquele show foi um dos melhores que eu já fui. Essa vez não havia gente suficiente para lotar o lugar, o pessoal não estava tão animado, um dos guitarristas estava com um talo na perna e teve que ficar encostado em um banquinho a maior parte do show, a banda que abriu o show não era boa… Mesmo assim o show foi muito, muito bom!
Franz Ferdinand tocando The Dark Of The Matinée no festival Inrocks no La Cigale em Paris.
Nem tudo são shows… No final de semana retrasado, fui em um churrasco com a Mirella, a irmã da esposa do vizinho da tia do primo do meu amigo. Tá, a relação não é tão longe. Na verdade eu até já passei um Reveillon com a família dela (e ela? não lembro…). Com isso comecei a conhecer um grupo grande de brasileiros. Na quinta-feira seguinte foi o aniversário dela e lá estava eu denovo. Esse sábado saí com o pessoal. Fomos no Rittenhouse Row Spring Festival e, de lá, imendamos um churrasco meio inesperado (uma das pessoas estava convidada e deu um jeito de levar os outros).
Estados Unidos
Quarta-feira, 6 Maio, 2009
Após pouco mais de um mês nos Estados Unidos, nada me surpreendeu. Tudo me parece ser exatamente como esperado, como o que a gente vê em filmes, em seriados, nos jornais, na internet…
Uma brasileira estava tentando me convencer de que isso na verdade é um sintoma de quem já passou pela Europa antes de pisar aqui, e não um efeito da invasão cultural dos Estados Unidos pelo mundo afora.
Washington D.C.
Domingo, 3 Maio, 2009
No final de semana passado fui para Washington, visitar a Mayra, uma grande amiga da Polytechnique. Assim como eu, ela está fazendo um estágio, mas o dela é na Embaixada Francesa.
Viajei com umas empresas de ônibus chinesas que são estranhamente bem mais baratas que as outras. Já havia tentado no final de semana anterior, mas o ônibus atrasou tanto, e aparentemente ainda ia atrasar muito mais, que eu acabei desistindo. Essa vez o ônibus também atrasou, mas foi só uma hora.
O sábado foi o dia de turista. Passamos o dia andando a pé e atravessamos a cidade inteira. Vimos a Casa Branca, o Washington Monument, o Capitólio e boa parte do que estava no meio do caminho, que foi muito quente e ensolarado. Essa região central de Washington tem várias coisas interessantes, como vários dos museus da Smithsonian Institution, que são todos de graça! Entramos apenas em dois, no National Museum of American History e no National Museum of Natural History. No primeiro a gente só passou pela parte de ciência mesmo e parecia uma versão museu da Super Interessante. O segundo eu achei muito legal, mas, diga-se de passagem que, apesar de já ter viajado bastante, ainda não havia entrado em um museu de história natural (shame on me).
Na verdade o melhor desse dia foi quando, morrendo de calor, passávamos pelo Jardim de Esculturas da National Gallery of Art e vimos uma fonte rodeada de gente sentada com os pés dentro d’água. Fizemos o mesmo lógico.
Comecei o dia seguinte acompanhando a Mayra com algumas coisas que ela precisava fazer até que, de tarde, fomos no National Zoo que, também sendo Smithsonian, foi de graça. Novamente foi um dia inteiro andando debaixo do sol quente.
Foi ótimo ficar passeando dois dias como turista, algo que eu ainda não fiz aqui na Philadelphia (sem a câmera e sem companhia não dá nem vontade), mas o melhor foi reencontrar a Mayra, conversar, dar umas boas risadas, assistir televisão (finalmente assisti Gênio Indomável!), etc. Foram dois dias de férias de verdade, em um final de semana. O ruim foi pegar o ônibus segunda de manhã e ir direto pro estágio.
Outras fotos no meu flickr.
Visitantes
Terça-feira, 28 Abril, 2009
Durante o começo desse ano passei quase dois meses sem atualizar o blog. Por incrível que pareça, o número de visitas não diminuiu. Na verdade, os três dias com mais visitas foram durante esse período. O motivo: alguém postou um link para o meu blog em uma comunidade de Física no orkut.
Semana passada teve outro pico nas estatísticas (mas essa vez bem mais distribuído). Adivinhem o motivo! A mesma pessoa colocou outra mensagem citando o meu blog na mesma comunidade do orkut.
Apesar das várias pessoas entrando aqui curiosas sobre a Polytechnique, foram raras as vezes que alguém entrou em contato. Mais curioso ainda é que eu tinha começado a escrever essa mensagem ontem e, hoje, antes que eu pudesse terminar, alguém que achou meu blog pelo orkut resolveu comentar!
A partir de agora estou deixando um quadrinho com meu e-mail na lateral do blog e fiz uma página com um pequeno resumo. Acho que isso deve deixar os visitantes menos perdidos e facilitar o contato.
Novo título…
Domingo, 19 Abril, 2009
“Sobrevivendo na Ecole Polytechnique”
Depois de tanto tempo com esse título, acho que preciso de um novo… sugestões?
Calculus
Quinta-feira, 16 Abril, 2009
Conversando com uma brasileira que já está há muito tempo nos EUA, ela fala:
- (…) você vai lá e paga um φ (…) depois de pagar um φ (…)
Não pude esconder a curiosidade, tive que perguntar:
- Peraí, por que você está falando φ e não ε ??
- ??
- Por que você falou pagar um φ?
- Um fee, tipo, como fala mesmo isso em português…
- Ahhh, uma taxa??
É, pelo jeito os problemas de conversação causados pelas aulas de cálculo podem ir além da dificuldade de falar “entregar”.
Stage de recherche – O quê? Como? Por quê? …?
Segunda-feira, 13 Abril, 2009
Toda essa história de estágio, vinda pros EUA, acabou ficando meio jogada aqui no blog. Eu queria ter postado sobre isso antes de ter vindo, mas acabei abandonando o blog… Vou logo avisando que o texto a seguir, além de não ser curto, é chato.
Esse estágio que estou fazendo é um stage de recherche (estágio de pesquisa), e é o fim do terceiro ano do Cycle Polytechnicien da Ecole Polytechnique. Tem uma duração mínima de 11 semanas, mas pode se prolongar para 5 meses; pode ser feito em uma universidade, em um centro de pesquisa ou em uma empresa.
A busca para estágio no exterior começou no fim do ano passado. Quando fui fazer isso, já estava bem perto das provas. Cheguei até a consegui por conta própria um estágio em Busan, na Coreia do Sul, com um indiano que estudou no Hawaii… Comecei então a revirar os estágios que a Polytechnique oferecia, ao mesmo tempo que estudava para as provas, procurando por algum estágio fora da França. Em computação, a lista era bem extensa, e, pelos títulos, os estágios na França pareciam muito interessantes. Entretanto haviam poucos fora da França. Depois de uma eliminação rápida, sobrou apenas um que me pareceu suficientemente interessante.
Entretanto haviam dois grandes problemas com esse estágio: era em uma área que eu nunca havia estudado (Teoria de Linguagens de Programação) e pedia conhecimentos em uma linguagem que eu conhecia vagamente (OCaml). Esperando receber um não, mandei um e-mail para o professor sendo bem honesto. A resposta dele foi a pior possível:
Can you tell me the emails of three or four of your professors or research supervisors that I can ask for informal references?
Eu até já havia postado ela aqui no blog. De repente, no meio de provas, eu tinha que conseguir professores para me recomendar para possivelmente ser aceito em um estágio que eu não tinha certeza se me interessava (afinal de contas, eu havia apenas dado uma lida rápida em uma descrição de uma página), não sabia quanto pagava, não sabia quanto tempo de estágio seria, etc. Li novamente a descrição com mais calma, chequei rapidamente se o professor era realmente bom, tomei fôlego e comecei a busca pelas recomendações, que, para o bem do meu ego, acabou sendo muito rápida.
Aparentemente o professor gostou muito do que escreveram e me aceitou. Na primeira resposta ele já falava que o tempo do estágio era flexível, mas que quanto mais longo seria melhor, pois assim teria mais chance de realmente se fazer alguma coisa, e já falou em dinheiro.
A quantia não era alta, era mais um bônus. Ele assumiu, quase corretamente, que eu ainda estaria recebendo uma bolsa de Polytechnique (eu teria quatro meses de bolsa para cinco meses de estágio). Mesmo assim, o dinheiro seria muito apertado, mas falei que iria fazer o sacrifício, começando a economizar desde já, talvez fosse possível…
Ele me avisa então que, para obter o visto que eu precisava, era necessário comprovar uma certa renda, da qual eu passava longe. Tentei conseguir mais dinheiro pela Polytechnique, mas não tinha jeito. Expliquei para ele que não daria e ele falou que completaria minha bolsa, terminando o e-mail com:
This is a little more than I’ve paid summer interns in the past, but it’s OK — I’m told you’re an unusually productive guy… :-)
Essa frase me aterrorizou por um bom tempo. Principalmente aquele smile no final. Foi até bom eu ter relembrado essa frase, quem sabe agora eu procastino menos…
E foi assim que eu vim parar no Computer & Information Science Department da University of Pennsylvania (Penn ou UPenn), em Phildelphia.
First Impressions: Welcome to PhD Comics
Quarta-feira, 8 Abril, 2009
Esse post é inteiro sobre as primeiras impressões que eu tive nos primeiros três dias de estágio na UPenn. Provavelmente a maior parte das impressões que descrevo aqui estão erradas, então não tomem isso como verdade.
Segunda-feira, às 10 da manhã, primeira reunião com o professor, que irei apelidar aqui de BP. Ele começou com uma conversa genérica e se mostrou muito legal, o que me deixou proporcionalmente feliz. No meio dessa conversa ele falou que eu iria receber um cartão da universidade para abrir a porta do prédio. Retruquei imediatamente: “Eles fecham a porta de noite?”, e a resposta afirmativa veio junto com a lembrança do primeiro dia de aula de computação na Unicamp: “Vocês vão virar muitas noites no IC? Vão…”.
Depois disso, ele partiu para a conversa mais técnica. Nessa hora, eu já comecei a me sentir transportado para dentro dos quadrinhos do PhD Comics. O plano do BP é me passar uma pequena tarefa durante essa primeira semana, depois algo maior durante umas três semanas e, aí sim, eu iria fazer algo de verdade até o final dos meus cinco meses na UPenn.
Logo depois, chegou o Nate, um aluno de doutorado dele, ou um personagem do Jorge Cham, não sei ao certo… A conversa entre os dois sobre o que fazer comigo durante essa primeira semana, enquanto eu viajava sem entender nada do que eles diziam de tão técnico que era, foi algo memorável. Cada frase era precedida de uns cinco segundos de reflexão e silêncio, enquanto, eu, perdido, não sabia o que falar, ou se devia falar… Em alguns momentos o silêncio foi muito maior, transformando a troca de olhares em uma versão sentada e sem música do duelo final dos Três Homens em Conflito.
O BP também arrumou outras coisas para eu fazer: para começar, no mesmo dia, no horário do almoço, fui em uma aula com o próprio BP – mas ele também estava de aluno. O curso já estava no meio, então ele falou que se eu não estivesse entendendo nada, podia sair no meio da aula. Avisou para a professora que eu provavelmente iria sair no meio da aula, me apresentou para a turma inteira (que era pequena) e também avisou que eu devia sair no meio da aula.
Foi bem interessante ver o estilo da aula, e quanto o pessoal participava, sempre respondendo perguntas e colocando questões aparentemente inteligentes. Ao mesmo tempo também rolava um clima de amizade com a professora, os alunos falavam de igual para igual, faziam piadinhas nerds que eu não entendia… Me lembrou um pouco as aulas da Islene na Unicamp. Acabei resistindo até o final. Mesmo sem entender quase nada, o pouco que eu pegava aqui ou ali valiam a pena… e a única porta de saída ficava na frente da sala.
Hoje eu fui denovo na aula. Um grande erro. Ela havia passado a aula de segunda inteira apresentando um sistema sem mostrar absolutamente nenhum exemplo. Hoje, além de resolver um dever de casa que ela teria passado antes de segunda, ela iria mostrar como usar esse sistema – algo que eu realmente queria ver. Ela acabou gastando a aula inteira no exercício.
Ainda na segunda, fui começar a resolver toda a burocracia, que é bem maior do que eu imaginava pois tem até formulário de isenção de imposto no meio. Nisso, ganhei a chave da minha sala! É, fiquei um bom tempo em êxtase com essa. Uma sala! Com outras cinco pessoas, é verdade… Um computador com dois monitores para trabalhar! Uma sala!
Uma das primeiras coisas que eu verifiquei é que é possível chegar na minha sala sem passar na frente da sala da BP.
Fiquei o resto do dia lá, trabalhando em cima do que o Nate fez (e vendo quão foda o cara é), sem ter idéia que horas eu deveria parar e voltar para casa. Com relação ao horário, aparentemente estou bem livre, chego e saio na hora que quiser – salvo por restrições como seminários, reuniões, etc.
Na terça, depois de ver que ele não estava na sala dele, fiquei trabalhando na minha até que ele apareceu me convidando para ir almoçar com todo mundo (Rá! Quero ver isso no PhD Comics!). Todo mundo incluía a professora do dia anterior e boa parte da sala! O pessoal passou o almoço inteiro conversando sobre assuntos diversos em Teoria de Linguagens de Programação, enquanto eu, sem entender porra nenhuma, cada vez mais me encolhia no canto, cultivando o complexo de inferioridade criado na Ecole Polytechnique.
Depois de passar o resto da tarde trabalhando, com um intervalo para resolver umas burocracias, tive uma conversinha com o BP para ele me explicar melhor o que eu devia fazer nessa primeira semana – já que agora eu já poderia pelo menos entender o que eles queriam. Voltei a trabalhar mais um pouco e de repente prestei atenção na conversa dos indianos que estavam na minha sala:
- Grad School é um erro que eu não devia ter cometido
É, acho que já tinha lido essa no PhD Comics… Não aconteceu, mas eu já estava até esperando eles baterem no meu ombro e me falarem:
- Run! Run now while you have time! Run to the hills! Run for your life!
Hoje foi a vez da indiana me mostrar outra cena típica do PhD Comics. Até então ainda não tinha visto ninguém dormindo na sala – mas, quando estou lá, estou sempre me concentrando – ou me desconcentrando – no computador. Quando fui saindo da sala para ir ao banheiro, vi que ela estava dormindo. Quando voltei, ela olhava pra porta com cara de assustada enquanto o computador mostrava qualquer coisa relacionada à pesquisa.
Tenho um grande problema: basta começar a abrir a porta e a primeira coisa que se vê sou eu de costas e os meus monitores virados na direção de quem entra. Preciso desenvolver alguma técnica urgentemente, principalmente porque quero continuar escutando mp3 com fone de ouvido o tempo todo.
Hoje foi o primeiro dia do JC, um francês da Polytechnique que também vai estagiar por aqui. Eu quase nunca tinha falado com ele, mas ele é bem legal, ainda bem. O inglês dele é (bem?) pior que o meu, então acabou sendo meio engraçado quando a gente foi almoçar e jantar hoje, se enrolando até com nome de moeda.
Talvez esse post tenha soado muito negativo, principalmente para quem conhece bem o PhD Comics, mas estou feliz, e na verdade tudo isso só tem me dado vontade de rir. Pelo menos por enquanto: é bem verdade que tenho medo do que pode vir pela frente. De qualquer forma, o meu advisor é muito legal e eu sou um caso a parte (só estou aqui por cinco meses, não tenho tese, etc), então acho – e espero – que não seja tão estressante e eu acabe sendo apenas um espectador dessa vida de PhD Comics.
ps: eu já fui em uma palestra do Jorge Cham na Ecole Polytechnique.
ps2: por enquanto eu ainda não tenho login/senha no sistema da UPenn, então ainda não estou usando o pc com dois monitores (estou usando meu laptop)
ps3: eu tenho uma sala!
Se mudando…
Segunda-feira, 6 Abril, 2009
Essa foi a primeira vez que eu realmente tive que me mudar… Quero dizer a primeira vez que, além de ir para outro lugar, eu realmente saí de onde estava, tendo que liberar tudo. Tá, tá, já aconteceu outra vez, mas eu era criança e obviamente não fiz nada.
Essa vez era ainda mais complicado, porque tinha que colocar tudo o que tinha depois de dois anos e meio na França dentro de duas malas e deixar o quarto em perfeito estado (a gente passa por uma vistoria, se tiver sujo ou alguma coisa quebrada, tem que pagar).
Como eu queria aproveitar os últimos dias na Polytechnique, acabou ficando tudo pra última hora. Por isso, a arrumação da mala acabou sendo bem simples: apenas fui tirando tudo que estava no quarto e jogando dentro da mala, do lixo, ou no corredor para alguém pegar. Eu realmente tinha deixado pra última hora, de forma que nem sequer deu para seguir assim até o final. Comecei a ter que colocar tudo no corredor para terminar de arrumar depois senão não daria tempo de limpar o quarto. E não daria, só deu mesmo porque tive ajuda!
No final das contas, com a bagagem arrumada com menos cuidado do que para uma viagem de um final de semana, peguei o avião na manhã seguinte e já vim pensando que não lembrava de ter colocado a máquina fotográfica dentro da mala… Bingo, ela ficou lá. Já estou dando um jeito de recuperá-la, mas depois desse último upload que eu fiz com as fotos do Bal de l’X, o meu flickr deve ficar meio parado por um bom tempo.
Só espero não descobrir mais alguma coisa importante que tenha ficado…
It’s a new day; It’s a new life
Sábado, 4 Abril, 2009
“It’s a new dawn
It’s a new day
It’s a new life
For me
And I’m feeling good”
Existem muitas versões dessa música que o Muse toca nesse vídeo. Em todas as que eu escutei, apesar da letra feliz sobre um novo começo, há sempre um toque triste e melancólico. Acho que ela expressa bem o que estou sentindo.
Pouco tempo depois daquele último post, eu terminei tudo o que precisava fazer com relação a minha vinda para os EUA. Depois disso a situação se inverteu e eu comecei a viver no passado e no presente, relembrando tudo o que eu passei desde o começo de 2007 e tentando aproveitar o máximo possível os últimos momentos que eu tinha naquela família que foi a minha turma.
Cheguei ontem na Philadelphia. Agora devo voltar a postar aqui com freqüência. [E com tremas...]















