Vienna

Sábado, 30 Agosto, 2008

Falei um pouco sobre cada lugar da primeira parte da viagem (antes de dar uma parada em Paris), mas sobre Vienna praticamente a única coisa que eu disse foi “passei 3 dias em Vienna”. Como está demorando para sair o(s) texto(s) sobre a segunda parte da viagem, resolvi comentar um pouco sobre essa cidade.

Eu já tinha passado três dias em Vienna no ano passado. Sem fazer muito esforço de memória e sem pegar meu caderno de anotações não lembrava de muita coisa, ao contrário do resto da viagem que conseguia descrever bem sem muito esforço. Nesse caso, ter dormido bastante, lavado minhas roupas e ficado num albergue muito longe estavam entre as coisas que lembrava mais fácilmente de Vienna.

Na primeira volta que demos pelo centro de Vienna, de noite, reconheci muita coisa. Num certo ponto até comentei: lembro que aqui tinha uns índios mexicanos fazendo algum tipo de protesto em alemão. No dia seguinte, lá estavam os mesmos índios. Parecia que a cidade estava parada no tempo. Tudo era como eu tinha visto um ano antes e, conforme andávamos, acabei lembrando que tinha visto bastante coisa. Os vendedores de ingressos de concertos de música clássica que ficavam vestidos como no século XVIII continuavam nos pontos turísticos anunciando concertos que me pareciam ser os mesmos. Até o clima parecia ser o mesmo: também choveu na hora do concerto. A diferença foi que essa vez eu não entrei.

O centro de Vienna é muito bonito e cheio de coisas para ver. Os parques, praças e jardins, então, nem se fala. Nunca vi um lugares públicos tão bem cuidados. Durante a noite, uma iluminação bem pensada dá um novo ar a vários dos pontos turísticos. O ambiente noturno da cidade me surpreendeu um pouco: um monte de gente andando pelas ruas como se fosse dia. Barraquinhas de Kebab, pizza e hotdog são uma boa para turístas que procuram comida rápida e barata.

A universidade também estava um pouco diferente: essa vez não havia nenhum evento com stands na frente das estátuas que estão lá. Pudemos, assim, tirar fotos com o Schrödinger, Boltzmann, Doppler e Freud, apenas para citar alguns nomes. Infelizmente não conhecíamos a maioria das pessoas homenagiadas, pois eram pessoas de todas as áreas e grande parte era de Biologia ou Medicina. No último dia choveu denovo, mas pude me abrigar na casa do Mozart.

Fim de viagem

Terça-feira, 26 Agosto, 2008

Voltei ontem. Enquanto eu tento escrever alguma coisa, aí vão algumas estatísticas da viagem:

  • 21 dias/20 noites
  • 8 cidades (9 se contar com um dia em Paris)
  • 6 países (3 que eu não conhecia)
  • Nenhum controle de fronteira, apesar de ter cruzado umas dez.
  • 6 noites em albergue, 5 noites na casa dos outros, 4 noites em camping, 4 noites em trem e 1 em casa.
  • 19 trens, 18 estações de trens diferentes, um pouco mais de 70 horas de trem (contando só com hora de saída e de chegada)
  • 7 dias com shows, em três países e quatro cidades diferentes, mais de 50 bandas.

Berlin

Sábado, 16 Agosto, 2008

Só para dar notícias, no momento estou em Berlin na casa da tia do Arthur. O Arthur está fazendo o stage ouvrier dele aqui. Cheguei aqui ontem à noite, depois de uma longa viagem vindo de Arras. O show do Metallica foi uma grande aventura e merece um post bem escrito, por isso vai ficar para depois. Hoje, depois de andar muito em Berlin, fomos parar em um show underground de punk rock francês com cerveja boa e barata.

Pit Stop

Quarta-feira, 13 Agosto, 2008

Estou fazendo um pit stop em Paris, depois de passar por Veneza e Münich! Um mal entendido no preço da reserva fez eu mudar os planos na última hora. Viagem improvisada é assim mesmo…

No trem até Veneza deu para dormir bem, depois de passar umas duas horas conversando com um cara da Moldávia e no final da conversa descobrir que ele era fisíco e ia fazer Ph.D. no Japão. Cheguei em Veneza cedo e descansado. Passei horas e horas andando, cheguei a ver o final de duas missas domenicais, etc. A cidade realmente merece a fama que tem. Preciso voltar lá um dia, com câmera e dinheiro de sobra.

Graças a maravilha que é o sistema ferroviário italiano, foi impossível ir para Budapest, que era o planejado, ou ir para qualquer lugar no leste. Aliás, foi difícil ir para qualquer lugar! Praticamente a única opção que eu tive foi ir para Münich, o que também foi uma novela. As informações que eles davam nunca batiam.

O trem noturno estava bem cheio, sendo que no trecho dentro da Itália tinha um monte de gente em pé. Cheguei em Münich umas 7 da manhã e não tive dificuldade de achar um albergue barato que me deixou tomar um banho antes do check-in, que era só as 4 da tarde.

Perguntei no tourist office que lugares eu devia visitar estando dois dias em Münich. Fui em quase tudo que ele disse antes do check-in. Finalmente fui tentar compensar um pouco da noite muito mal dormida e achei um brasileiro, piloto de avião, viajando sozinho também. De noite fomos no Hofbräuhaus tomar uma cerveja.

No dia seguinte fui no Deutsches Museum, que o brasileiro e o cara do tourist office tinham me indicado. Ainda bem que eu fui sozinho, sem muito tempo e ainda entrei um pouco antes da hora do almoço! Se tivesse entrado lá com outras pessoas da Polytechnique acho que não saia mais nunca!

Depois disso só deu para dar uma volta pelo Olympiapark, uma passada bem rápida no museu da BMW e mais uma voltinha pelo centro da cidade antes de pegar mais um trem noturno, essa vez de volta para Paris. Agora o plano é: amanhã Arras; depois mais um dia em Paris; depois Berlin.

Propera Parada

Sábado, 9 Agosto, 2008

Depois de três dias em Viena (na Áustria), onde eu já havia estado no ano passado, os três resolveram ir para Bratislava passar uma noite. Eu não queria voltar lá (pois é, também já estive lá) e também queria economizar com albergue, então resolvi partir para o plano alternativo dos trens noturnos, i.e., economizar duas noites de albergue e conhecer uma cidade nova em um dia. Daqui não haviam muitas opções. Depois de eliminar lugares que eu já fui e lugares que eu nunca ouvi falar e não parece ter absolutamente nada, me sobraram duas opções.

A primeira e bastante conhecida: Veneza. Sozinho, sem câmera, com um dia apenas e com a certeza de que vou ter outras oportunidades de ir para Veneza, preferi a outra opção: Beograd (Belgrado), a capital da Sérvia.

Depois disso eu os reencontro, se tudo der certo, em Budapest (na Hungria), onde eu também já estive.

Mochilão – O início

Quinta-feira, 7 Agosto, 2008

As mensagens vão ser bem resumidas porque não tem como ficar muito tempo na internet, mas vou tentar postar sempre pois, como a experiência do ano passado mostrou, se eu deixar para depois não escrevo nunca. O Gabriel que tá viajando comigo tem um blog (com link na barra lateral), talvez ele coloque algumas coisas por lá também.

Dia 05 tomamos o trem de Paris para chegar no começo da noite em Bern na Suiça. No outro dia passeamos um pouco pela cidade. O mais interessante foi o rio. Na borda do rio tem um grande gramado com um monte de gente tomando sol, uma piscina, uns campos de vôlei de praia, etc. O engraçado é que as pessoas tomam banho no rio como se fosse o mar. Entram no rio, ficam alguns poucos minutos sendo levadas pela correntaza e têm que sair e voltar andando. E ficam nesse ciclo, nadando e andando. O mais legal foi pular no rio de uma ponte.

De noite, depois de tomar um banho no rio, pegamos o trem noturno para Viena na Áustria, economizando estrategicamente uma noite de albergue. Dormimos no trem e agora vamos passar duas noites aqui em Viena.

E agora José?

Terça-feira, 5 Agosto, 2008

Não, não é uma brincadeira com um dos leitores do blog. Ou talvez até seja. Estou definitivamente de férias. De volta à Paris pois com o tanto de coisa que eu tinha levado para Marseille não tinha como seguir viagem direto. E agora, para onde ir?

Pouco antes de voltar, descobri que tinha alguns bixos aqui fazendo um pit stop entre uma viagem e outra. Detalhe, eles não tinham a menor idéia de onde ir. Cheguei, discutimos um pouco e decidimos: Vamos comprar o bilhete interrail e vamos pro leste para onde tiver albergue. O grupo: Eu, dois brasileiros e um chileno. Compramos o interrail na estação e resolvemos fazer logo a reserva do trem. Destino escolhido: Bern, a capital da Suíça (na verdade tentamos Zürich mas não tinha para trem com vaga para o dia seguinte).

Chegamos em casa e fomos tentar reservar o albergue (para ver como o planejamento começou bem!) e nada de encontrar vaga pela internet. Depois da emoção inicial, liguei para lá e consegui vaga. Por causa do preço, ficaremos só uma noite. Depois disso não tenho idéia para onde iremos.

Para complicar, de alguma forma eu tenho que chegar no dia 14 em Arras, aqui na França, para ir no show do Metallica. Obviamente não tem mais lugar em albergue há um bom tempo (e eu procurei!).

ps: Esqueci minha câmera em Marseille.

Marseille – The End

Domingo, 3 Agosto, 2008

Ontem foi meu último dia de trabalho no Hôtel Vertigo em Marseille. Foi uma experiência muito boa! Durante o trabalho, eu fazia check-in, check-out, dava informações turísticas (lugares para ir, como ir, onde comer), servia café da manhã, vendia coisas do bar (café principalmente, água, coca cola, cerveja, etc), lavava a louça (com a ajuda de uma máquina de lavar louça), atendia o telefone, respondia e-mail e mais um monte de pequenas tarefas.

Tenho que admitir que o telefone me deixava um pouco irritado, principalmente quando a pessoa começava a falar em francês… Eles não estão muito acostumados com esse negócio de albergue então tinha que ficar explicando toda vez. Para piorar aqui ainda tem os dois tipos de quarto. Que tipo de quartos vocês têm? Como assim “quarto de albergue”? Quanto custa? Onde fica? O que vocês tem disponível para tais dias? Posso fazer a reserva pelo telefone? Vocês não tem idéia de como eu torcia para que a última pergunta não fosse feita. Obviamente a melhor coisa era estar o tempo todo em contato com gente do mundo todo. Todos de bom humor, pois estavam de férias.

Nos últimos dias uma brasileira viajando sozinha passou por aqui. Mal eu conversei com ela e já me veio um sentimento de “puta merda, depois que ela for embora eu provavelmente nunca mais vou vê-la”. Já tinha pensado isso com o grupo de dois mineiros e uma mineira que eu recebi (os que eu tinha citado nesse post). Os três tinham acabado um curso de inglês na Inglaterra e estavam viajando antes de voltar pra Minas. Ou seja, no máximo vou trocar uns e-mails por causa das fotos que tiramos.

Mesma coisa com um cara que eu encontrei no ônibus indo para o jogo de futebol de areia do Brasil. Conversamos só uns dez minutos e, apesar de ser corinthiano, me pareceu ser um cara muito legal. Não entrei no jogo com ele porque tinha que esperar uma veterana minha chegar (tinha combinado com ela para assistir o jogo). No outro dia, saindo da final do campeonato, éis que o encontro denovo. Pegamos o ônibus e o metrô conversando o tempo todo e depois disso ele voltou para Montpellier, onde está iniciando um pós doutorado. Nessas duas curtas conversas, ele conseguiu discorrer sobre diferenças não triviais entre Brasil e França e São Paulo e Montpellier.

Voltando à brasileira, apesar de ser do interior de São Paulo, o “r” dela não era muito puxado e ela falava de um jeito meio cantado muito agradável de escutar. Em cada dia que ela esteve aqui, passamos horas e horas conversando sem que o assunto morresse. Na verdade acontecia mais o contrário: vez ou outra eu pensava em umas duas ou três coisas pra falar, falava uma e o assunto ia mudando e as outras eram perdidas… Ela parecia mais nova que eu mas já trazia alguns trabalhos e um récem terminado mestrado na bagagem. Veio para Europa para passar quase dois meses viajando sozinha e agora, depois de passar pela Espanha, volta para trabalhar em São Paulo.

Não lembro de ter pensado assim antes. É estranho conhecer alguém e em pouco tempo já estar como se fossem amigos sabendo que em poucos dias vocês nunca mais se encontrarão. Não é que nem as pessoas que eu conheci em Fortaleza, na Unicamp, na Polytechnique, etc. Todas essas eu sempre tive impressão que um dia a gente se encontra denovo. Algumas vezes de forma bem inesperada, como um colega meu do colégio em Fortaleza que eu encontro no Metrô em Paris ou um veterano da Unicamp que aparece na Polytechnique para fazer um curso de três meses.

Outra oportunidade que tive de encontrar pessoas assim foi quando eu estava viajando nas férias do meio do ano passado. Entretanto, as únicas pessoas que eu encontrei que me cativaram assim em pouco tempo foi o “Martinique”, que seguiu alguns dias de viagem conosco depois de uma conversa de 15 minutos, e um grupo de Portugueses que encontramos duas vezes, uma em Bratislava e outra em Praga. Ambos apareceram na Polytechnique depois: o Martinique um bom tempo depois para nos visitar e os Portugueses nós hospedamos na última cidade da viagem deles.

O Leonardo, um chileno colega meu da EP, chegou hoje de tarde no albergue para fazer o mesmo estágio. Mostrei para ele algumas coisas, dei algumas dicas e dei uma voltinha rápida pela cidade com ele. Essa foi minha única saidinha hoje: depois de fazer meu “check-out” pela manhã, passei o dia quase todo no albergue com um clima de melancolia. De vez em quando eu ainda dava uma ajudinha aqui e ali. Quinze minutos antes de ir embora, ainda arrisquei atender o telefone que tocou e não tinha ninguém por perto. Na hora de ir embora, me despedi com um “à la prochaine”. Tenho certeza que ainda os encontro um dia.

Ah, e para terminar a reflexão: tenho que cortar o cabelo.