etc

sexta-feira, 23 março, 2007

Segunda, terça e quarta, nevou várias vezes aqui na EP, mas todas as vezes foi muito rápido (normalmente 1 min) e a neve derretia logo depois de cair. Foi só pra dar o gostinho pro pessoal que ainda não brincou com a neve.

Até agora eu não estava conseguindo acompanhar direito as aulas de matemática, mat. aplicada e física… Não por causa do francês, mas por causa da dificuldade e da velocidade mesmo. Ontem foi a primeira aula de matemática que eu consegui acompanhar de verdade! Pena que na próxima aula o assunto já vai ser completamente diferente.

“Cette année, l’Ecole accueillera 45 élèves dans ce programme originaires de Chine, du Brésil, du Chili, du Vietnam, du Mexique et de Roumanie, d’Iran, de Tunisie, d’Ukraine, de Russie et d’Espagne. En venant étudier à l’Ecole Polytechnique, ces étudiants doivent apprendre le français mais aussi s’adapter à une nouvelle culture, à un nouvel environnement et à de nouvelles méthodes de travail.”

Isso aí dá uma idéia da mistura de culturas que é essa escola. Não sei por que, mas os dois espanhóis só chegaram essa semana. Eles já chegaram com vontade de aprender português e ensinar espanhol.

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Paris

domingo, 18 março, 2007

Depois que eu vim pra EP eu estou sempre postando as coisas atrasado. :(

Rio Sena
Rio Sena. Do lado de lá, o Grand Palais.

Sábado da semana passado foi o “dia” do passeio. Saímos meio sem rumo, eu, a Yana e o Victor. Pegamos o metrô para a Catedral de Notre-Dame de Paris. Visitamos a catedral e um pouco dos arredores e, depois disso, fomos andando até a torre Eiffel. A gente achava que era mais perto, mas foi uma caminhada bem grande seguindo o Rio Sena. Em uma grande parte do caminho tinha um monte de “banquinhas”, uma ao lado da outra, vendendo livros antigos, quadros, cartões postais, posters, etc. Quando a gente chegou mais perto da torre, bateu a fome a gente parou de acompanhar o Sena. Começamos a ir pelo meio da cidade na direção da torre procurando alguma coisa para lanchar. Comemos umas besteiras em um restaurante chinês de qualidade questionável. Depois disso, continuamos rumando na direção da torre Eiffel mas sem vê-la, pois todos os prédios tinham uns 3 ou 4 andares. de repente a gente virou uma esquina e.. Voilà, a torre surgiu imponente. Enquanto eu estava deslumbrado com o tamanho da torre, que era bem maior do que eu esperava, eis que a Yana solta “A” frase:

– Noooooooooossa! Olha esse doce!

e quando a gente vê, ela está de costas pra torre, olhando para uma doceria.

Torre Eiffel
“Nossa, olha esse doce!”

Depois que a gente chegou na torre, ficamos um tempo tirando umas fotos. Depois encaramos a fila do elevador para subir na torre e, quando finalmente a gente subiu, já estava de noite. De qualquer forma, o tempo estava muito aberto… dava pra ver tudo! Depois da torre Eiffel, ainda fomos no Arco do Triunfo, onde não ficamos muito tempo e só olhamos de longe mesmo.

Vista da Torre Eiffel de noite
Vista do 3° (ou 2°?) andar da Torre Eiffel de noite. No centro do círculo brilhante, o Arco do triunfo.

Durante a semana, teve um dia que teve um espetáculo de “circo” aqui na polytechnique. Foi feito pelos próprios alunos, o pessoal do binet circo, incluindo um brasileiro. Foi bem mais profissional e teatral do que eu esperava. A apresentação inteira foi como uma peça de teatro que no meio o pessoal fazia várias palhaçadas, pequenas acrobacias, truques com bolas, etc. Teve bastante efeitos com luzes e quase tudo foi acompanhado por música tocada na hora e de boa qualidade.

Apresentação do Binet Circo
Apresentação do Binet Circo

No sábado a gente foi no Château de Versailles com a escola (é estranho falar ou escrever isso, mas é école polytechnique, logo, uma escola). Chegamos bastante atrasados e eu não gostei muito da visita. A guia ficava falando um monte de coisa de história, o que era bem entediante. Depois da visita, a gente, i.e., os brasileiros, as romenas e o iraniano, ficamos andando pelos arredores e conversando bastante. [Sutileza linguística das próximas frases: fem. pl. = romenas que estavam com a gente; mas. pl. = romenos + romenas]. Cada vez eu fico mais impressionado com os romenos. Eles são muito legais e entendem muita coisa de português, sei lá como. Eles têm muita facilidade com línguas. A gente tentou falar vários fonemas difíceis de português e, depois de 3 a 5 tentativas, elas repetiram com perfeição. Falaram que os chineses já disseram umas frases em chinês, eles repetiram e os chineses disseram que eles pronunciaram perfeitamente. Só o iraniano conseguiu falar umas coisas que elas (e nem a gente) conseguiu repetir. A gente ensinou para as romenas alguns palavrões em português… Agora lascou, elas vão realmente entender tudo que a gente fala. Elas também ensiram a gente algumas palavras em romeno, que eu já esqueci tudo, assim como a aula de palavrões em romeno que um romeno deu pra gente durante um almoço outro dia. Uma coisa interessante é que passa novela brasileira lá na Romênia. Uma das romenas sabe tudo de novela brasileira! Mas o mais interessante é que a expressão “cair a ficha” também existe na Romênia!!

Na volta para casa, graças ao Arthur, a conversa foi para computação. No final a gente acabou apostando chocolate com as romenas que é possível compilar Prolog (assim como quase todos os romenos que estão aqui na polytechnique, elas também faziam computação). Mandei um e-mail hoje com alguns links mostrando que era possível e agora a gente está esperando para provar o chocolate romeno.

Nos outros dias, foi só aula, estudo, descanso e pequenos eventos sociais, como ir no supermercado, pedir e comer uma pizza, etc. A pizza é bem complicada… Tem que descobrir quem quer, reunir alguns para escolher a pizza, pedir a pizza, conversar enquanto espera, chamar todo mundo porque a pizza chegou, conversar enquanto come, conversar… Hoje acho que o processo durou umas 4 horas!

Primeira Semana na École Polytechnique

sábado, 10 março, 2007

Durante a viagem de trem (TGV) na vinda de Villeneuve para Paris, a gente fez algo razoavelmente arriscado: Jogamos poker apostado com o TGV lotado. Alguém sabe se isso é proíbido aqui na França? Todo mundo começou com 1€ e eu terminei com uns 2€ (não contei) e a Yana com 22,17€!

Mesa de Poker no TGV
Mesa de Poker no TGV.
All In
A rodada mais alta – eu estava de All In e tirei o mesmo jogo que a Yana
All In 2
Vitoriosos

No primeiro dia aqui na EP já teve o aniversário de um brasileiro. Foi bem legal, tinha um monte de brasileiros e hispanofônicos e alguns franceses. No sábado a gente foi no Louvre com os outros bixos estrangeiros, em um passeio organizado pela EP. Nesses passeios, a gente tem que se virar para chegar no lugar e depois para voltar, a EP só cuida do passeio em si, pagando guia, entrada e coisas assim. Por isso, depois do Louvre a gente ficou passeando um pouco nas próximidades do Louvre. Chegamos a ver a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo de longe. De noite a gente foi no Bôbar, o bar que tem aqui dentro da EP. O bizarro: Estava tendo Open Bar de cerveja e não paga nada para entrar. Isso mesmo, o governo francês estava distribuindo cerveja de graça! No domingo teve uma feijoada aqui na EP. Os brasileiros daqui conheceram uma bahiana que ta morando em Paris e de vez em quando ela vem aqui fazer alguma comida pra gente. Não era uma feijoada de verdade por falta de ingredientes, mas estava muito bom e foi ótimo para matar a saudade do feijão!

Durante a semana a gente teve aula todos os dias de manhã e de tarde. O pessoal responsável pelo curso de francês (professores, estágiarios, etc) são todos muito legais, exceto a chefona que é uma psicopata. Começamos a ter aula de matemática aplicada, física e matemática e recebemos os resultados das provas da semana passada.

Eu tinha feito as provas tentando escrever o mínimo possível e sempre que possível utilizando símbolos matemáticos para evitar escrever alguma coisa. Na minha prova de matemática aplicada veio um monte de “Rédaction”! O professor não gostou nem um pouco de eu ter escrito pouco :(. Na aula o professor disparou a falar e escrever sem parar de probabilidade. Fiquei desesperado copiando porque ainda não tinha o livro e mal consegui prestar atenção no que ele falava.

A aula de física foi mais parecida com uma palestra. Todos os alunos ficaram na mesma sala, o professor usou slides, não mandou ninguém resolver nada na lousa, no começo da aula ficou explicando coisas da EP, etc. Mandar o aluno resolver alguma coisa na lousa é algo comum por aqui. Acho que só não consegui entender tudo que ele falou porque no final da aula eu estava morrendo de sono.

A de matemática eu fiquei na turma dos “burros”. Eu realmente tinha ido muito mal na prova. Fiquei impressionado com a professora. Nunca tive um professor(a) tão atencioso(a) quanto ela. Logo no começo da aula ela já me mandou fazer uma questão da prova na lousa, provavelmente porque eu tinha respondido corretamente, com uma resposta usando expressões lógicas e coisas assim mas sem nenhuma justificativa. Essa aula deu pra entender perfeitamente tudo que a professora falava.

Ontem foi o primeiro dia que teve esporte, mas quase todo mundo foi na academia. O esquema dos esportes da EP eu comento depois, quando tiver mais experiência, os franceses do meu ano já tiverem chegado (por enquanto só os estrangeiros do meu ano estão aqui) e eu tiver morando no prédio com o pessoal do meu esporte.

Última Semana em Villeneuve

domingo, 4 março, 2007

Primeiro dia de Aula em Villeneuve-sur-Lot
Primeiro dia de aula em Villeneuve-sur-Lot.

Agora com acentos! Preciso me acostumar denovo com o teclado.

Na segunda-feira, o dia depois que eu voltei dos Pirineus, a gente fez um pequeno happy hour e depois teve uma festinha no começo da noite. A festa foi feita pelo curso, com todos os alunos, as famílias, os professores, etc. Teve uma boca livre bem legal com bastante vinho! O vinho foi importante, pois ajudou a Yana a criar coragem pra dançar “cueca” – uma dança típica chilena – com o Leonardo. A dança eh bem complicada e deu tudo errado, portanto foi bem engraçado o mico! Como a festa acabou muito cedo, a gente resolveu sair de lá para um bar. A surpresa: a Marie, minha irmã, foi com a gente. Além de nós dois, foram o Leonardo, a Yana e o Victor. A gente demorou um bastante pra chegar no bar (por causa de algumas confusões e porque o comércio não abre na segunda-feira em Villeneuve) e ficamos pouco tempo no bar, mas foi muito engracado e a gente falou muita besteira. A gente matou a Marie de vergonha tentando aprender a falar “vai se fuder” em francês dentro do bar. Esse dia até que rendia um post grande, mas a censura e a memória não permitem =p.

Como a gente assustou os chilenos varias vezes por conversar sobre certas coisas com uma mulher (Yana), no dia seguinte eu perguntei pra Marie se ela tinha achado alguma coisa que a gente tinha falado estranha. Ela disse que achou normal e que conversava coisas parecidas com os amigos dela. Na verdade a gente não falou demais na minha opnião, mas foi pior do que as conversas iniciais do primeiro dia que a gente tinha saído e que já tinham sido suficientes para chocar os chilenos.

Terça, quarta e quinta de tarde a gente teve prova de Matemática Aplicada, Física e Matemática respectivamente. O objetivo das provas é que a Polytechnique tenha noção do que a gente sabe e o que a gente não sabe para dar dividir as turmas e dar uma direcionada nas aulas de matemática e física antes do tronco comum (o semestre de verdade). As duas primeiras eu devo ter sido o que foi pior dos que estavam em Villeneuve, mas eu só errei ou deixei em branco coisas que eu não sabia ou tinha esquecido e realmente devia estudar denovo, então achei normal. O problema foi a última prova… Descobri que eu não sei nada de matemática e o pouco que eu sabia eu esqueci!

Na terça eu fui com os chilenos no supermercado (e em umas lojas vizinhas), que é bem longe, tentar comprar algum presente pra minha família. Os chilenos compraram vinho chileno e eu não consegui achar nada interessante e, para não perder a viagem, comprei dois pacotões de café brasileiro, o que a Christine já tinha me falado que gostava. A gente encontrou a Yana por lá. Ela inventou de fazer aquelas batatas recheadas com strogonoff e, para piorar, a mãe dela ainda convidou umas pessoas para esse jantar. Ela não conseguiu encontrar todos os ingredientes e vários que ela conseguiu não foram iguais. Para fazer o jantar ela acabou improvisando um monte de coisa e, aparentemente, todo mundo gostou menos ela! Ela disse que todo mundo repetiu a “comida típica brasileira” que ela fez. A sobremesa ela disse que deu certo e todo mundo gostou também. Voltando ao supermercado, a mãe da Yana deu carona pra gente voltar.

Na quinta-feira, na hora do almoço, eu, a Yana e o Victor não estavamos afim de ir em nenhum dos lugares tradicionais. Surgiu a idéia de ir no tal Mc Donalds de Villeneuve… Diziam que ele era longe, mas deviam ter avisado que era em outra cidade!

Eu fiquei agitando o pessoal pra gente ir fazer alguma coisa na quinta, já que era o último dia em Villeneuve. Ninguém tava querendo ir porque tinha que se despedir das famílias, arrumar as malas, etc. A prova de matemática fez todo mundo mudar de idéia. A gente marcou de ir em um bar um tempo depois do final da prova, porque todo mundo tava precisando comprar alguma coisa antes de ir embora e eu aproveitei e fui atrás de comprar algum presente decente. Eu já tava querendo fazer isso. Depois que eles me deram um presente no dia anterior, eu me senti obrigado. Andei muito e comprei o único livro brasileiro que eu achei (Agosto do Rubens Fonseca), uma flor (em um vaso), um bichinho de pelúcia pra Marie e um cartão que me fez rodar a cidade inteira! Eu tinha visto um de agradecimento pelo acolhimento em uma floricultura meio longe (onde a gente tinha comprado uma orquídea para a professora no dia anterior) e, por isso, saí andando em zigue-zague na direção dessa floricultura parando em vários locais pra perguntar se tinha um cartão semelhante. Quando eu chego la na floricultura o cartão tinha acabado!! Tive que voltar procurando algum cartão bom de “Merci”, coisa que eu também tive dificuldade de encontrar. Depois disso tudo, deixei as coisas em casa e fui no bar… Cheguei exatamente na hora que eles estavam do lado de fora indo embora! Primeira vez que eles foram sem mim :(

Na hora do jantar, eu entreguei os presentes e eles gostaram muito. Infelizmente eu não tinha tido tempo de escrever o cartão – coisa que eu só fiz quando todo mundo tava dormindo e minha mala já estava pronta. Na sexta a gente foi embora muito cedo, antes das 6:00!