Quinta feira passada (27/03/2008) eu fui com o Arthur no show do The Dillinger Escape Plan, que contou também com Stolen Babies e Poison The Well, em Paris, no Elysée-Montmartre. Eu só conhecia o Dillinger mesmo, mas o Arthur também conhecia e era fan de Poison The Well.

Milk Lizard, uma das músicas calmas do Dillinger.

Chegamos atrasados e já tinha começado o Stolen Babies, o que me deixou muito puto, porque depois de poucos segundos eu já estava sem acreditar naquela banda. O som deles era bem diferente (a aparência também) e, liderando a banda, tinha uma vocalista que tocava accordeon. Ela ficava alternando vocais bem cantados com uns gritos muito loucos e tinha um jeitinho todo especial. A banda é americana e compartilha o baterista com o Dillinger. Escutando o cd deles depois, que me pareceu mais leve, eu confirmei que virei fan deles.

Poison The Well
Poison The Well tocando, foto tirada pelo Arthur.

O lugar do show, além de não ser grande, estava longe de estar lotado, de forma que fomos sem dificuldade nenhuma para a frente do palco para assistir o show seguinte do Poison The Well. Fui muito bom, mas não gostei tanto quanto o Stolen Babies. Também achei que a voz do vocalista tava muito baixa e ficava um pouco escondida pelos outros instrumentos.

Panasonic Youth, uma música de verdade do Dillinger.

Em seguida, avancei um pouquinho mais, sem dificuldade, até a grade, exatamente no centro, bem de frente pro vocalista e pro baterista, e tava tão tranquilo que nem fiquei espremido. Ao mesmo tempo que eu estava esperando muito do show do Dillinger, tinha medo não do som não ficar muito bom e ficar um barulho só. Fiquei impressionado. O som estava perfeito, dava pra escutar nitidamente cada instrumento, notar cada sutileza… Quanto ao show mesmo, foi insano. Um jogo de luzes que piscavam ou iluminavam o palco indiretamente acentuavam o caráter extremo do show. Ao invés de ficar tentando descrever o que foi esse show, o melhor é mostrar um pequeno vídeo gravado lá:

The Dillinger Escape Plan, final de 43% Burnt, no Elysée-Montmartre. Eu estava numa posição ainda mais privilegiada que a de quem filmou.

Ao vivo os caras são realmente fodas! Tenho que admitir que eu cheguei a ter medo em alguns momentos. Rolou até um ‘concurso’ de escalada no final do show. No final do show conversamos com uma boa parte das três bandas. Todos eram muito legais! Infelizmente não tinha mais cds do Stolen Babies para vender (e eles pediram um monte de desculpas).

The Dillinger Escape Plan tocando Sugar Coated Sour na Virgin Megastore Times Square.

Uma coisa engraçada nesse show era que tinha uma menina muito bonita que parecia uma patricinha indo pro shopping. Tava de vermelho, toda bem vestida e maquiada. Quando eu a vi no intervalo dos shows, fiquei pensando: puta sacanagem do cara que trouxe ela aqui (tinha um conversando com ela o tempo todo). Ela ficou na grade e no meio do show do Dillinger, quando eu vejo, ela está cantando todas as músicas! Ela até cantou um pedaço no microfone mesmo. No final do show quando a gente ficou conversando com o vocalista do Dillinger ele disse que a tinha reconhecido de outro show.

Eu e a Dominique Lenore Persi (a vocalista do Stolen Babies)

Eu e a Dominique Lenore Persi (a vocalista do Stolen Babies)

No final das contas, foi por pouco que eu e o Arthur não viajamos no domingo para assistir o último show da turnê dos três grupos juntos, em Le Havre. Faltou só o Arthur ter se decidido antes ou ter tgv de Paris até essa cidade bizarra. E depois que não dava mais, foi por pouco que eu não fiz o outro extremo e fui parar num show da Kate Nash.

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Amsterdam

quarta-feira, 26 março, 2008

A viagem foi demais. Pena que foi curtinha. Saímos daqui sexta meia noite, chegando no sábado de manhã, e na segunda de tarde já estávamos pegando o ônibus de volta. Foi uma viagem organizada por um dos binets (grupos de estudantes) da école e por isso foi bem barata. O esquema da viagem foi bem legal porque a gente só tinha transporte e albergue e lá podíamos fazer o que quisessemos. As vagas eram bem limitadas mas os brasileiros conseguiram aproveitar bastante e por isso os outros não puderam dormir durante a viagem de ônibus.

A cidade quebra dois paradigmas, sendo o das drogas quebrado parcialmente. Não é qualquer droga que pode ser vendida e também só se pode vender e consumir em locais específicos. Apesar disso, falta fiscalização para proibir de verdade em outros lugares e, uma vez que estavamos andando, escutei um cara falando “cocaína, ácido, lsd” quase como um “cerveja, refrigerante e água”. Lá pelo centro, tem “coffe shop” em todo lugar, sempre muito cheios (ao menos no final de semana), mas tive impressão que é uma coisa muito mais voltada para turistas. E talvez seja por causa das drogas que as bebidas alcoólicas em todo lugar eram muito baratas.

Para o outro paradigma tem o Red Light District. Um quartinho, uma vitrine e o produto atrás da vitrine: uma mulher. Existiam várias vitrines com várias mulheres, quase todas de biquíni, se exibindo para as pessoas que passavam. Tirando um lugar específico que tinha várias gordas, feias, velhas e combinações dessas características, elas eram incrivelmente gostosas. Era realmente impressionante, principalmente em um bequinho que a gente passou que não dava pra acreditar.

Além de quebrar paradigmas, amsterdam é muito legal! A cidade é muito bonita, cheia de canais que passam pelo centro e cheio de casas tortas. Pelo centro da cidade, que é a parte predominante do turismo, existe via de bicicleta ao lado da maioria das ruas e existem bicicletas paradas em todo lugar, dando uma impressão de a cidade ter muitas bicicletas por habitante. No segundo dia, alugamos bicicletas e ficamos passeando pela cidade de bicicleta. Foi um passeio muito legal, todo mundo adorou! No meio do passeio, nevou. Já tinha nevado na noite anterior, mas essa vez nevou pra caralho! Prosseguímos embaixo de neve por bastante tempo e vimos muita coisa. No mesmo dia de noite, tentando se encontrar com o resto do pessoal, eu e o Raul acabamos encontrando um barzinho que tava tendo um show de jazz. Também fui no Erotic Museum que eu não curti muito, com excessão de uma televisão que ficava passando desenhos animados. Os desenhos animados mais exdruxulos que eu já vi. Mesmo se ignorando o sexo, constantemente presente nos desenhos, tudo, tudo era muito estranho! A forma como eles eram desenhados, como os personagens se moviam, o cenário, a alternância de cenas, os diálogos, a música, tudo!

A Holanda é o país do futebol. Sem brincadeira nenhuma, quase todas as televisões que eu vi (e tinha televisão em quase todos os bares e coffes shops) só passava futebol! A maioria dos jogos eram reprise porque não tinha como passar tanto jogo ao vivo e passava jogo da Europa toda.

Foi uma viagem muito bem aproveitada mas que foi muito curta e deixou um gostinho de quero mais. Espero poder voltar quando não estiver tão frio.

Demain

quinta-feira, 20 março, 2008

Amsterdam.
Segunda feira de noite a gente volta.

Últimos dias

segunda-feira, 17 março, 2008

Os últimos dias foram bem carregados, acabei sem tempo para escrever alguma coisa aqui e agora estou fazendo um esforço para escrever essa mensagem rápida. Consegui umas fotos tiradas com outras câmeras e coloquei algumas fotos atrasadas no flickr.

Esse final de semana teve o TSGED desse ano (post do ano passado aqui). Pelo que eu vi e ouvi, a Polytechnique deve ter ganho quase tudo. Não tive saco de ir na premiação essa vez. Assisti as últimas lutas do judô, que tinha um brasileiro que estava na equipe e me chamou pra ir assistir. Acordei cedo, fui lá e descobri que o desgraçado tava na reserva e no final ganhou medalha de ouro sem lutar. Fora isso, assisti as finais de vôlei, ambas com brasileiros, ambas campeãs ganhando sem dificuldade por três sets a zero.

No domingo teve uma maratoma muito divertida com os bixos brasileiros e, em seguida, um churrasco perfeito! Com carne e cerveja de sobra, além de outras coisas, o churrasco animou a tarde inteira. Esse dia rendeu muitos vídeos bons.

Quanto ao estágio ouvrier, preparei um e-mail meio genérico para enviar para qualquer albergue, mas acabei mandando só para um inicialmente. É um albergue em Marseille, onde um brasileiro fez esse mesmo estágio no ano passado. Eles pediram pra eu telefonar. Liguei, passei por uma pseudo-entrevista pelo telefone em que bizarramente não fui mal. Até meu inglês foi elogiado, sei lá como. O curioso foi que, no final, o cara falou que tinha colocado meu nome no google e tinha achado meu flickr e falou que viu que eu tinha ido esquiar, que eu tinha ido pra Tunísia, etc.

Revolução Francesa

terça-feira, 11 março, 2008

Aula de espanhol. A professora, eu e um monte de franceses. Depois de uma apresentação sobre história do México e da Argentina, a professora pergunta qual o fato que a turma achava mais marcante na história francesa.

– A revolução, alguém disse sem demora.
– A revolução francesa? E como vocês contariam o que foi a revolução francesa para uma criança?

Silêncio, os franceses se olham, sem nenhum tomar iniciativa. A professora fala que quer apenas ver o pessoal falando no passado. Mais um pouco de silêncio e o que disse revolução resolve começar a tentar:

– Havia uma monarquia
– Monarquia absoluta, completa a professora.

Depois de algumas tentativas incompletas, outro tomou a palavra e disse:

– Teve uma revolução e depois todos viveram felizes.

Stage Ouvrier

sábado, 8 março, 2008

Aqui na Polytechnique, temos que fazer um Stage Ouvrier. É um estágio de quatro semanas em que devemos trabalhar como executant, i.e., peão. Trabalhar recebendo ordens, em um cargo que não necessite de conhecimentos científicos. Uma boa parte do pessoal faz fora da França. Acho a idéia bem legal. Primeiro obrigar o pessoal a ter que correr atrás de um emprego (existem alguns que a escola propõe, mas não são tantos) e aprendem um pouco como é estar por baixo em uma empresa, recebendo ordens, etc.

Vou fazer o estágio aqui na França mesmo. Para fazer no exterior, o prazo é bem mais curto e eles colocam algumas dificuldades (esse ano eles ainda mudaram umas regras e agora, se não gostarem do nosso nível de francês, podem nos proíbir de fazer estágio no exterior). Mesmo não fazendo no exterior, ainda tenho toda a França como possibilidade. Quem tem sugestão de cidades para eu tentar o estágio ouvrier? Não quero ficar em Paris/Palaiseau de jeito nenhum.

Essa semana perdi um bom tempo arrumando meu currículo em francês (até hoje não tinha uma versão em francês) e escrevendo um e-mail para mandar para vários albergues. Essa é minha idéia principal. Mas estou aceitando sugestões! Podemos ganhar salário e tudo, só que é muito mais difícil conseguir algum estágio assim. Uma das vantagens do albergue é que eles provavelmente não vão ter problemas em arranjar um lugar para eu dormir de graça.

Mudando um pouco uma sugestão do Daniel, acho que eu vou tentar uns lugares que façam shows também, como os que eu estou começando a freqüentar aqui em Paris. Antes de ontem fui no show do Apocalyptica e ontem fui no Brad Mehldau Trio. No primeiro, fui com uma mochila e botei meu casaco dentro, que sozinho já lotava a mochila. Coloquei minha máquina fotográfica e a caixa dos meus óculos, vazia, em cima do casaco. No meio do show, depois de uns empurra-empurra e de eu já ter mudado muito de lugar, reparei que minha mochila estava completamente aberta, com metade do casaco do lado de fora. Nada da caixa dos óculos e de câmera mas, não sei como, enfiei a mão lá dentro minha câmera estava embaixo do casaco, no fundo da mochila. Os ingressos pro show de ontem já tinham acabado faz muito tempo. Fui com o Arthur e o Daniel tentar comprar na hora e conseguímos comprar pelos preços originais, na última hora.

Uma semana de férias

domingo, 2 março, 2008

Tivemos essa semana de férias. Quase todo mundo viajou. Alguns brasileiros foram num esquema muito barato de uma semana de ski. Restavam pouquissímas vagas, então eu e vários outros acabamos ficando de fora. Tinham algumas pessoas que só iam viajar em uma parte das férias e como meu primo Tiago estava aqui em Paris com a Cláudia e eu tinha um monte de coisas para fazer, acabei ficando sem ânimo para viajar.

A Polytechnique, fantasmagórica durante as férias, é um pessímo lugar para ficar preso. Além de quase nada funcionar, uma vontade de não fazer nada domina os que restam sobre o Plateau (planalto). A Ecole fica em cima de um planalto, que juntamente com a distância geográfica para o centro de Paris, nos isolam do mundo e, em dias normais, criam a necessidade de motivação extra para ir até Paris. Graças à sensação horrível que a X passa durante as férias, não tive preguiça de sair várias vezes com o Tiago e a Cláudia. Em compensação, quase tudo que eu consegui estudar foi dentro de trem indo e voltando de Paris.

Fomos no Château de Vincennes, Château de Versailles, Musée des Arts et Métiers, Musée d’Orsay, Opéra, Jardin des Tuileries, além de lugares no meio do caminho, de lugares que eu posso ter esquecido, de idas frustadas nas Galeries Lafayette e no Forum des Halles, e de várias idas na casa da irmã da Cláudia, que está estudando em Paris. Ah, e eu ainda mostrei pra eles a Polytechnique. Desses lugares, eu nunca tinha ouvido falar no Château de Vincennes e no Musée des Arts et Métiers e nunca tinha ido no Musée d’Orsay.

Château de Vincennes
Uma das entradas do Château de Vincennes

O primeiro, era um desses castelos completos: tinha fossa, muralha, portão-ponte, uma igreja muito grande, um pavilhão para o rei, um para a rainha, etc. Pelo que eu entendi, fazia bastante tempo que não dava pra visitá-lo e terminaram de reformá-lo há pouco tempo, por isso não é um ponto turístico muito conhecido. Infelizmente, como chegamos tarde, apenas passamos por dentro do castelo, sem entrar nos vários pavilhões que eram abertos à visita. Fiquei com vontade de voltar lá outro dia para fazer uma visita de verdade.

Château de Vincennes
Um pedaço do espaço interno do castelo.

Um museu de geringonças era a melhor definição para o Musée des Arts et Métiers. O museu apresentava várias invenções e instrumentos científicos, tendo seções para grandes cientistas franceses, onde se podia reconhecer o nome de alguns polytechnicos. Apesar de uma boa parte das coisas do museu serem miniaturas (miniaturas de barcos, trens, metrôs, etc), isso não tirava a graça do museu, que era perfeito para engenheiros e crianças. O astro do museu era o pêndulo de Foucault, o mesmo usado por Foucault em uma apresentação no Panthéon. Pra variar, chegamos tarde e perdemos a apresentação sobre o pêndulo (na verdade chegamos cedo no museu e fomos pro lado errado, rodando o museu inteiro antes de ir para o pêndulo). O mais engraçado era ver as crianças esperando o pêndulo derrubar umas pecinhas de metal que eles colocaram para provar que o pêndulo estava mudando o eixo do movimento. Queria aproveitar e agradecer ao Paulo Fernando, que me mandou pelo Tiago um livro sobre o pêndulo (O Pêndulo, de Amir D. Aczel). Assim que tiver tempo, vou lê-lo.

Vela
Milagres acontecem… O estranho é quando esperamos um e ele realmente acontece.

Apesar disso, o que me fez conhecer Paris à fundo foram quase nove horas de escuridão.