Semana Infernal

terça-feira, 20 maio, 2008

Essa semana veio para compensar todas as anteriores. Tudo ao mesmo tempo. Socorro!
Pelo menos hoje anunciaram que o prazo de escolha do PA, que inclui escrever uma carta de motivação, foi adiado dessa quinta para, no mínimo, quinta da semana que vem. Ainda bem, porque até agora não tive tempo de parar para refletir sobre isso.

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Decisões

quarta-feira, 14 maio, 2008

Ano de vestibular. E agora, o que eu faço? Decidi que queria Unicamp muito antes da escolha do curso. Para me decidir, anotei em uma folha quase todos os cursos de exatas e no decorrer do ano fui riscando: “esse não”. Um dos critérios principais da época: “Se eu escolher isso, dificilmente vou ser ou trabalhar em algum lugar que não seja tananã”. Era no fundo uma tentativa de adiar mais a decisão.

No final, sobrou apenas Engenharia Elétrica para fazer na UFC, mas na Unicamp ainda restavam duas opções: Engenharia Elétrica e Engenharia de Computação. Estava mais inclinado para Engenharia de Computação porque tinha a vantagem de ter uma escolha de ramo durante um curso, duas modalidades, A e B, sendo a segunda bem próxima de Engenharia Elétrica. Apesar disso, a decisão final veio a partir da opnião do meu irmão que fez Engenharia Elétrica e já tinha estudado na Unicamp.

– Engenharia Elétrica ou Engenharia de Computação?
– Medicina.
– Sério porra, elétrica ou computação?
– Computação.

Nos últimos meses antes do final da escolha de modalidade, praticamente todos os meus colegas já haviam escolhido, enquanto eu estava lá, mais uma vez sem ter idéia do que escolher.

A vinda para a Polytechnique ocorreu de forma diferente. Comecei a ficar com vontade de ir para um lugar que fosse bem melhor e por isso procurei oportunidades no exterior. Ou talvez fosse um desejo oculto de ir para o exterior que eu disfarcei como uma vontade de estudar em um lugar melhor. Apareceu enfim a oportunidade com a França. Envolvia uma decisão de qual universidade/école aplicar. Graças à minha completa ignorância com os estabelecimentos de ensino e a falta de tempo na época da inscrição, tive que apelar para o professor (ir)responsável pelo programa. Ele colocou a Polytechnique em outro nível e descreveu um pouco como eram as coisas aqui e por isso eu estou aqui hoje.

Agora estou eu face à uma nova escolha, a escolha do que eles chamam de PA (Programmes d’Approfondissement) que é o terceiro ano do Cycle Polytechnicien. Novamente com a estratégia pré-vestibular, fiz uma lista inicial das possibilidades e depois de ir em uma grande parte das apresentações de PA, exclui algumas opções. Ainda me restam três.

Andei postando bem menos aqui no blog, o que me levou a concluir um fato interessante: minha dedicação ao blog não depende de quão ocupado eu estou, depende apenas do que eu tenho para fazer no computador. Me empolguei com Ruby, Ruby On Rails e conseqüentemente também andei relembrando as aulas de banco de dados, peguei e assisti vários epsódios do Aqua Teen Hunger Force, fotos panorâmicas etc… Enfim, eu não tinha tantas obrigações mas o blog acabou ficando em último plano.

Como o último post foi escrito no meio da semana de férias, vou terminá-la aqui.

Outro dia ninguém estava querendo ir para Paris. Disse que iria de qualquer jeito e perguntaram o que eu iria fazer. “Como vocês não querem ir, vou levar um livro, sentar em algum parque e ler”. Nunca, sem querer, convenci tão rápido! Aceitaram imediatamente. Acabou que estava mais frio do que eu imaginava e ficamos morrendo de frio no parque.

Na sexta da semana de férias fomos assistir o Requiem do Mozart na Église de la Madeleine, que é uma igreja muito diferente das igrejas convencionais e até das não convencionais. Imaginei que o clima de estar dentro de uma igreja tornaria a música ainda mais emocionante mas acabei achando meio fraquinho. Acho que por causa do tamanho da igreja o som não vinha com tanta força. Tinha até que fazer um certo esfoço para escutar direito os solistas, ao contrário da vez que eu vi o Requiem em um Teatro em Praga, que a voz dos solistas chegava com força nos nossos ouvidos. As cadeiras da igreja também não são nem um pouco confortáveis e a disposição num plano, o mesmo em que a orquestra fica, fazia com que a gente conseguisse ver apenas o coral e no máximo a cabeça do pessoal da orquestra. Não que tenha sido ruim, só não foi tão bom quanto eu esperava.

Château de Vincennes
Foto panorâmica do Chateau de Vincennes

Essa semana depois das férias, ainda incluiu um feriado, que aproveitamos para ir no Château de Vincennes. Essa vez chegamos cedo e podemos realmente visitar o lugar. Saimos de lá e fomos no Parc Floral de Paris que fica ao lado do castelo e faz parte do grande Bois de Vincennes. A outra vez que eu tinha ido por ali, tinha caminhado no Bois de Vincennes sem entrar nesse parque. A parte do parque é muito mais bonita. Tudo é extramamente bem cuidado, tem lago, um monte de brinquedos e parquinhos para crianças, tremzinho, quiosques de sorvete, árvores e flores de todos os lugares do mundo.

Esses dias eu também aproveitei para fazer uma faxina das grandes no meu quarto, daquelas de tirar tudo do lugar, limpá-lo e depois recolocar de forma organizada. Pela primeira vez tirei tudo que estava no guarda-roupa. Achei um monte de coisa que eu nem lembrava mais que tinha!

Ah, finalmente eu comecei a ler um livro que ganhei há muito tempo: Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez. É impressionante o domínio das palavras que ele tem, algo realmente incomparável. Em contrapartida, me mandaram ontem uma reportagem sobre “from uk” na capricho que deu até nojo de ler. Como um amigo meu disse “eu me sinto mais burro depois de ter lido, acho que alem de perder o meu tempo eu ainda perdi uns neurônios“, acho melhor resumir o conteúdo para vocês: “from UK” é uma nova modinha que quer substituir os emos e na verdade são ex-emos que pensam que deixaram de ser emos só porque agora tentam se vestir como os emos ingleses.

Férias com gosto de descanso

quinta-feira, 1 maio, 2008

Acabei sem viajar. Não achamos nenhum lugar legal que não estivesse com a passagem muito cara. Até que não está sendo ruim. Normalmente em uma situação dessas eu acabo, sei lá, dormindo demais e ainda assim passo o dia com sono, mas agora não estou dormindo muito, estou fazendo uma quantidade razoável de coisas e estou me sentindo o tempo todo bem disposto.

Em um dos dias jogamos vôlei por muito tempo. Acho que por mais de três horas. No meio do jogo um dos bixos torceu o pé caindo em cima do meu pé e teve que se retirar. No dia seguinte de manhã ele me pede ajuda porque tava doendo muito, mal tinha conseguido dormir e a enfermaria da Polytechnique está fechada durante toda a semana de férias. Consegui um carro emprestado e o levei no médico que, após uma análise de dois minutos, disse que ele tem que passar dez dias sem colocar o pé no chão, precisa comprar uma tala, muletas e uns remédios. Compramos as coisas logo em seguida.

Entrei no Panthéon, finalmente. Já estava até cansado de passar lá na frente. Fomos achando que ia ser algo rápido e até tínhamos planos para ir em outro lugar depois. Demoramos muito lá dentro! Estávamos com uma disposição estranha e passamos alguns minutos na frente de cada pintura. Na cripta então nem se fala. Como conhecíamos uma boa parte dos que estão lá ficamos realmente muito tempo. Para completar ainda tem o pêndulo de Foucault.

Outro finalmente foi entrar no Hôtel des Invalides. Chegamos tarde, o que nos obrigaria fazer uma visita muito rápida, mas acertamos o dia sem querer e descobrimos que estaria aberto de noite e que nesse horário é de graça para menores de 26 anos. Visitamos rapidamente a igreja que tem lá, passamos o tempo em Paris e voltamos depois que estava reaberto. Entramos na parte que tem a tumba de Napoleão e de mais alguns poucos militares importantes, incluindo o polytechnicien Foch.

Saindo de lá fomos no Historial Charles-de-Gaulle, ainda no Hôtel des Invalides. É tipo um museu moderno em que todas as coisas são audio-visual. Usando um aparelho com fone de ouvido que eles dão, sempre que você chega perto de alguma das várias televisões, computadores ou fotos ele começa a falar sobre aquilo ou a tocar o áudio daquela televisão/computador, na língua escolhida. Tudo com uma mistura de arte com “vamos mostrar o que a gente pode fazer com a tecnologia”. Uma vez eu li em algum lugar sobre um sistema de câmeras que detecta a posição da mão e a pessoa controla o computador apontando a mão para a tela. Tinha pelo menos dois desses lá. No meio tem um cinema com cinco telões que exibe um documentário sobre o Charles-de-Gaulle que usa e abusa das cinco telas (imagens panorâmicas, repetições de imagens, cenas por ângulos diferentes, mesma cena com um atraso em cada tela, etc). Tivemos uma overdose de Charles-de-Gaulle tendo visto uma pequena parte do que tem lá. É muito material sobre uma pessoa só.


KT Tunstall tocando Black Horse And The Cherry Tree sozinha.

Na segunda-feira eu fui no show da KT Tunstall no Cassino de Paris. Entre uma música e outra ela sempre falava várias coisas, algumas vezes umas historinhas, sempre tentando falar em francês! Não saia tudo e ela apelava bastante para o inglês com leve sotaque inglês dela, mas era muito legal ver ela tentando falar francês. Durante o show descobri que o baixista é francês. Na hora do bis, ela voltou, tocou uma música sozinha e quanto terminou a banda começou a entrar ela mandou eles sairem, disse que ia tocar uma música extra (I Want You Back), e só depois que ela terminou a banda voltou pra prosseguirem com o planejado. Deu pra sentir que não foi apenas mais um show pra KT. A abertura do show foi bem curta e foi o próprio guitarrista da KT Tunstall que apresentou seu projeto solo. As músicas do Sam Lewis tem um jeito de praia, férias e tranquilidade que me lembraram Jack Johnson e as tardes deitado na rede na Marambaia.

Myspace do Sam Lewis: http://www.myspace.com/samlewisrecordings