Se mudando…

segunda-feira, 6 abril, 2009

Essa foi a primeira vez que eu realmente tive que me mudar… Quero dizer a primeira vez que, além de ir para outro lugar, eu realmente saí de onde estava, tendo que liberar tudo. Tá, tá, já aconteceu outra vez, mas eu era criança e obviamente não fiz nada.

Essa vez era ainda mais complicado, porque tinha que colocar tudo o que tinha depois de dois anos e meio na França dentro de duas malas e deixar o quarto em perfeito estado (a gente passa por uma vistoria, se tiver sujo ou alguma coisa quebrada, tem que pagar).

Como eu queria aproveitar os últimos dias na Polytechnique, acabou ficando tudo pra última hora. Por isso, a arrumação da mala acabou sendo bem simples: apenas fui tirando tudo que estava no quarto e jogando dentro da mala, do lixo, ou no corredor para alguém pegar. Eu realmente tinha deixado pra última hora, de forma que nem sequer deu para seguir assim até o final. Comecei a ter que colocar tudo no corredor para terminar de arrumar depois senão não daria tempo de limpar o quarto. E não daria, só deu mesmo porque tive ajuda!

No final das contas, com a bagagem arrumada com menos cuidado do que para uma viagem de um final de semana, peguei o avião na manhã seguinte e já vim pensando que não lembrava de ter colocado a máquina fotográfica dentro da mala… Bingo, ela ficou lá. Já estou dando um jeito de recuperá-la, mas depois desse último upload que eu fiz com as fotos do Bal de l’X, o meu flickr deve ficar meio parado por um bom tempo.

Só espero não descobrir mais alguma coisa importante que tenha ficado…

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JSP + sem tempo

quinta-feira, 22 janeiro, 2009

No final de semana da semana passada foi o JSP desse ano. JSP é um final de semana de ski organizado pela Polytechnique, mas tenho impressão que é algo comum aqui pela França. A nossa vizinha, a SupOptique, por exemplo, organiza uma semana de ski. Logo que voltamos, postei aqui um post que já estava pronto (a tirinha que vocês podem ver abaixo). A idéia era conseguir uns três ou quatro dias para escrever calmamente sobre a viagem, como eu fiz no ano passado, mas acabou aparecendo um monte de coisas para fazer e não tive tempo! E ainda não tenho direito, então vai só um resumo mesmo.

Essa vez a viagem foi para Valfréjus, que era bem menor que a estação do ano passado. No primeiro dia já me estabaquei de cara em uma pedra. Apesar da porrada ter sido grande, só fique com um cortezinho na testa (por baixo do gorro), um pouco de dor de cabeça e um pouco de medo! Acho que por isso eu fiquei esquiando com muito mais cuidado que no ano passado. Acabei esquiando bastante sozinho nos três dias. Mesmo tendo quebrado minha câmera antiga no JSP anterior e a minha atual ter jeito de ser muito mais frágil que a outra, ainda tive coragem de esquiar um pouco levando a câmera, e, por incrível que pareça, ela ainda está funcionando.

Vive l’Air France

quinta-feira, 18 dezembro, 2008

Ufa, sobrevivi, ao menos psicologicamente. Depois do massacre que foram as últimas semanas, arrumei minha mala as pressas e comecei a maratona que é voltar pra casa.

Como sempre, tive problemas com a viagem de avião. Overbooking na Air France e eu tive que ficar. A única coisa divertida foi ver eles sofrendo para conseguir outra conexão para Fortaleza. Resolvi dar uma mãozinha e sugeri que procurassem por Lisboa. Encontraram, mas tiveram que mudar meu vôo para a TAP. Depois de muita confusão e uma noite em um hotel, peguei finalmente o vôo para chegar em Fortaleza não tantas horas depois do que era planejado inicialmente (já que não precisei ir até São Paulo e voltar).

Obviamente, aconteceu o que eu havia previsto e reclamado adiantadamente bastante para a Air France: Eu cheguei mas a bagagem não.

Prólogo

Últimos seis dias do mochilão, do dia 20 a 25 de agosto, descritos em um post longo. Clique no link a seguir para encarar mais uma narrativa excessivamente longa (também estou fazendo isso para proteger a página inicial de vídeos do youtube). Continue lendo »

Berlin

Berlin é uma cidade para se visitar mais de uma vez. Com guindastes por todos os lados, a cidade está em constante transformação e, nas palavras do guia do free tour, “ainda não completou nem 20 anos”. Muitas das coisas que parecem ser antigas foram reformadas. Reformar em Berlin quer dizer reconstruir boa parte, quando não colocar tudo a baixo e reconstruir por inteiro, como vai ser o caso do Stadtschloss que vão reconstruir assim que terminarem de demolir o Palast der Republik. Em alguns lugares, marcas de tiros ainda são visíveis. O Reichstag, o parlamento alemão, atualmente é um núcleo moderno com uma casca antiga – reformada, é lógico. O lugar é aberto a visitações, gratuito, e da cúpula se tem uma boa vista da cidade.

Reichstag em 1945

Reichstag em 1945

Eles contruíram um Memorial aos Judeus Mortos da Europa, uma grande obra de arte moderna, aberta a interpretação de cada um. Embaixo, há um museu mostrando como a situação dos judeus na Alemanha e na  Europa foi mudando até chegar aos famosos campos de concentração. Além disso, também expõe trechos de cartas escritas por pessoas a um passo da morte e a história de algumas famílias. Bem pesado, principalmente para alguém que já visitou Auschwitz-Birkenau e tudo o que foi visto e ouvido é relembrado.

free tour é um tour como qualquer outro, mas o pagamento é feito no final, na forma de gorjeta, em que cada um dá quanto quiser. Essa avaliação no final tende a manter um bom nível. Fui no de Berlin e recomendo a todos. Eles passam por vários pontos importantes da cidade, tudo andando, e falam várias coisas interessantes. Um dia preciso testar o de Paris. Uma dica para quem for: Lembrem de levar dinheiro trocado! Pedir troco é desconcertante.

Enquanto estive em Berlin, o clima não animava: quase todo dia estava nublado e frio e choviscou várias vezes. Durante as cinco noites que estive em Berlin fiquei hospedado na casa da tia do Arthur, mas apenas ele estava lá, pois ela estava de férias em Fortaleza. A cama quentinha, internet e banho quente dificultavam sair de casa. Esses dias acabaram tendo um jeito de Férias de verdade, de descanso. Meu plano inicial de aproveitar para visitar outras cidades indo e voltando no mesmo dia foi abandonado. Na verdade até meus planos de entrar em alguns museus foram pro saco.

Logo que cheguei em Berlin, aquele ambiente cheio de punks me contaminou. Disse logo ao Arthur que precisávamos ir ao show de alguma banda punk alemã. Na segunda noite, andando pela rua, vimos um cartaz de um show de duas bandas de punk francesas que não conhecíamos: Charly Fiasco e The Rebel Assholes. Sem cogitar, fomos até o squat onde seriam os shows. A entrada era doação. Com 5€ para nós dois deixamos eles felizes, e até nos deram uma cerveja. Várias pessoas falavam francês, e havia até um grupo que falava espanhol. Isso tudo em um lugar que não devia ter nem 40 pessoas, contando com as duas bandas. Depois que os shows acabaram, ficamos um tempo sentado numa mesa conversando com as bandas.

Entrada do Squat em Berlin

Entrada do Squat em Berlin

Dois dias depois, dois dos três que iniciaram a viagem comigo chegaram em Berlin. Os encontrei e convenci um deles a ir em um show que o Arthur, atendendo meu pedido, descobriu. A única informação que o Arthur havia me dado por sms é que era algo extremo. Quando nos o encontramos, descobrimos que era uma banda de Luxembourg (Do Androids Dream Of Electric Sheep?) e uma japonesa (Endzweck). Foram dois shows memoráveis em um lugar quase tão pequeno quanto o anterior. A banda de Luxembourg falava francês, e, por isso, conversamos um pouco com eles antes do show, o que rendeu uns três comentários do vocalista no meio do show nos referenciando.

Prólogo

Há muito tempo eu já sabia que a data do único show do Metallica na França, sendo no meio das minhas férias, iria me atrapalhar muito. A cidade escolhida, Arras, só aumentava a dor de cabeça. Praticamente o único jeito de chegar de trem era saindo de Paris. Por isso, fui forçado a interromper o mochilão e fazer uma parada na cidade luz no dia antes do show. A idéia era seguir viagem para Berlin em seguida.

Os acontecimentos aqui narrados correspondem aos dias 13, 14 e 15 de agosto de 2008. Clique no link a seguir para encarar a narrativa que provavelmente ficou excessivamente longa. Continue lendo »

Vienna

sábado, 30 agosto, 2008

Falei um pouco sobre cada lugar da primeira parte da viagem (antes de dar uma parada em Paris), mas sobre Vienna praticamente a única coisa que eu disse foi “passei 3 dias em Vienna”. Como está demorando para sair o(s) texto(s) sobre a segunda parte da viagem, resolvi comentar um pouco sobre essa cidade.

Eu já tinha passado três dias em Vienna no ano passado. Sem fazer muito esforço de memória e sem pegar meu caderno de anotações não lembrava de muita coisa, ao contrário do resto da viagem que conseguia descrever bem sem muito esforço. Nesse caso, ter dormido bastante, lavado minhas roupas e ficado num albergue muito longe estavam entre as coisas que lembrava mais fácilmente de Vienna.

Na primeira volta que demos pelo centro de Vienna, de noite, reconheci muita coisa. Num certo ponto até comentei: lembro que aqui tinha uns índios mexicanos fazendo algum tipo de protesto em alemão. No dia seguinte, lá estavam os mesmos índios. Parecia que a cidade estava parada no tempo. Tudo era como eu tinha visto um ano antes e, conforme andávamos, acabei lembrando que tinha visto bastante coisa. Os vendedores de ingressos de concertos de música clássica que ficavam vestidos como no século XVIII continuavam nos pontos turísticos anunciando concertos que me pareciam ser os mesmos. Até o clima parecia ser o mesmo: também choveu na hora do concerto. A diferença foi que essa vez eu não entrei.

O centro de Vienna é muito bonito e cheio de coisas para ver. Os parques, praças e jardins, então, nem se fala. Nunca vi um lugares públicos tão bem cuidados. Durante a noite, uma iluminação bem pensada dá um novo ar a vários dos pontos turísticos. O ambiente noturno da cidade me surpreendeu um pouco: um monte de gente andando pelas ruas como se fosse dia. Barraquinhas de Kebab, pizza e hotdog são uma boa para turístas que procuram comida rápida e barata.

A universidade também estava um pouco diferente: essa vez não havia nenhum evento com stands na frente das estátuas que estão lá. Pudemos, assim, tirar fotos com o Schrödinger, Boltzmann, Doppler e Freud, apenas para citar alguns nomes. Infelizmente não conhecíamos a maioria das pessoas homenagiadas, pois eram pessoas de todas as áreas e grande parte era de Biologia ou Medicina. No último dia choveu denovo, mas pude me abrigar na casa do Mozart.